Cinema
Cine Clube

Em dezembro, o Cinema Comentado Cineclube encerra o ano com uma homenagem aos 80 anos de cineclubismo no Brasil. O Conselho Nacional de Cineclubes (CNC) reúne, atualmente, 800 membros que se dedicam à difusão e discussão do cinema em amplos aspectos – como memória, educação, mídia, arte, etc. A mostra 80 Anos de Cineclubismo traz obras consagradas no circuito alternativo de distribuição e de destaque na história do cinema brasileiro.
Programa:
06/12 – Moacir Arte Bruta (2005), direção de Walter Carvalho.
13/12 – Exibição do curta-metragem Sobre a falta de, dirigido por Lara Araújo, filmado em Montes Claros (foto) e em seguida O Homem que Virou Suco (1981), dirigido por João Batista de Andrade.
20/12 – Estamira (2004), dirigido por Marcos Prado.
27/12 – Vidas Secas (1963), clássico do Cinema Novo, de Nelson Pereira dos Santos.

+ Inf. cinemacomentado@gmail.com

Cinema
Novo Cinema nos Geraes

O filme retrata as romarias de Santo Antônio do Boqueirão que, segundo estimativas, acontecem no distrito de mesmo nome, no município de Unaí/MG, há 260 anos, quando apareceu ali uma imagem de Santo Antônio. Para uns, ela foi trazida pelos missionários; para outros, pelos bandeirantes; e para o povo simples da região, foi por milagre mesmo. Através da oralidade e dos diferentes discursos, o filme retrata as diferentes manifestações que giram em torno da festa, numa contagiante mistura de cultura popular, fé e festa. Um mosaico cultural único no sertão do noroeste mineiro. Andréa Martins se diz realizada com este primeiro trabalho como diretora. Segundo ela, "a idéia surgiu quase como uma brincadeira, mas com o envolvimento incondicional dos acadêmicos e da comunidade, o projeto ficou sério e pôde ser concluído, apesar do baixíssimo orçamento: toda a produção do documentário custou menos de R$ 3.000,00, já que a equipe trabalhou voluntariamente e os equipamentos utilizados são os de uso pessoal. O combustível, a alimentação e as hospedagens foram doações de empresas e comunidade local. Os únicos gastos em dinheiro foram com as fitas de mini-dv e com a edição e finalização do filme, cujo valor cobrado foi apenas simbólico". Ainda de acordo com a diretora, essa experiência foi de fundamental importância, não apenas para sua experiência pessoal, mas para provar que o sertão também pode gerar cinema de qualidade. Com uma nova proposta de filmagem para o ano que vem, ela diz acreditar que seu próximo filme será feito com mais profissionalismo e qualidade técnica. E a mesma criatividade, é claro.
Ternos de Folias
Foliões se preparam para o Giro


O encontro vai reunir 28 ternos de foliões da cidade e região, e ainda o grupo de Viola Brasil Cabôclo. A idéia dos organizadores é promover um encontro entre os mestres e foliões, que funcione como troca de experiências e uma espécie de preparação para as visitas, ou o "giro", como é chamado por eles, que começam no dia 24 de dezembro e vão até o dia 6 de janeiro. A Folia de Reis é uma das manifestações religiosas mais tradicionais do Norte de Minas. Com suas roupas características, que incluem toalhas e fitas coloridas, os foliões se apresentam nas casas, igrejas e presépios, com seus cantos religiosos acompanhados de instrumentos típicos, como viola, rabeca, caixa de folia e pandeiro. Os ternos geralmente têm sua tradição com a devoção a santos como, por exemplo, São Sebastião, Bom Jesus, Santa Luzia e o Menino Jesus. Durante o encontro, além dos foliões, também se apresentam grupos de Catira, Sapateado, Lundu e Moda de Viola. O evento acontece no dia 21 de dezembro, na Praça Dr. Chaves (Matriz) a partir das 10:00 horas.

+ Inf. Wedson Peixoto/Durval Santos - (38) 9948-2433

Política Cultural
Rede de Cultura
A formação de uma rede de cultura para integrar artistas e produtores culturais do norte de Minas nasce do encontro com Leonardo Palma Avelar, chefe de divisão de cultura da SMC de Montes Claros, Cida Marques, Secretária de Cultura de Bocaiúva e Solange Sarmento, diretora do grupo teatral Cia. dos Sonhos durante as festividades de agosto. A partir daí surgem a participação do Espaço Cubo, um grupo cultural do Mato Grosso, para discussão de novas idéias e em seguida a Duo Produções, de Belo Horizonte, com a realização de um curso de Gestão e Produção Cultural que visava fortalecer a criação da rede. No início, revela Leonardo, “a intenção era reunir pessoas da área e palestrantes para abordar questões de uma rede de contato, mas a idéia se mostrou bem mais contemporânea que se pensava ao constatar a existência de outras redes culturais. Assim, surge uma concepção mais forte, que é criar uma rede de cultura do Norte de Minas, que seria capaz de fomentar, articular e mostrar nossa arte e cultura”. Atualmente, a rede tomou proporções bem mais amplas e encontra-se em processo de formação organizacional e estabelecimento de objetivos e propostas comuns de atuação. Seus benefícios são evidentes, como a importância de uma maior participação dos seus atores na tomada de decisão das políticas públicas, um amplo conhecimento do setor cultural na região e a troca de informações. A perspectiva, segundo Leonardo, “é de crescimento e integração da região e outras cidades na articulação da rede. Esta rede não possui hierarquia, não há um núcleo administrativo tomando decisões horizontais, tão comuns a outras instituições, aqui, é o coletivo que norteia nossas ações”.
A Rede de Cultura do Norte de Minas já é uma realidade e sua consolidação é uma questão de tempo. Tempo de maturação inerente a qualquer movimento desta natureza, que se revela generoso e solidário.

+ Inf. rejanebonifacio@oi.com.br lirolpalma@gmail.com
letymusicista@yahoo.com.br

Enquete
Resultado
A enquete anterior perguntou "Qual ação poderia dar maior sustentabilidade ao setor cultural" e o resultado percentual da votação é: Formação da Rede de Cultura 63%; Implementação do Fundo de Cultura 26%; Criação do Teatro Municipal 10% e Abertura do Museu Regional 0% .
Artes
Empório das Artes


Instalado em um casarão, que já foi sede de uma fazenda mais antiga que a própria cidade, o Empório das Artes é uma loja de artesanato com produtos exclusivamente feitos no Norte Minas. Aqui podemos encontrar instrumentos musicais como a rabeca e a viola caipira, além de quadros, cartões postais, livros, roupas, panos de prato bordados a mão, licor de pequi e um variado souvenir feito de argila e madeira. Sob coordenação da Associação dos Artesões do Município de Montes Claros e com a parceria do Sebrae a loja representa artistas de cidades como Taiobeiras, São Francisco, Janaúba, Lontra, Jaíba e Montes Claros.

+ Inf. Rua Padre Teixeira, 129, Centro. 3214 5558
Música
No Estúdio

Brunno Mendes está em fase final de gravação do seu primeiro CD. Preto e Branco é um trabalho solo com composições próprias, recheado de baladas românticas e tempero pop. A produção musical é de Vítor Coutinho, profissional requisitado pela nova geração de artistas. Músico experiente, Brunno já vinha atuando com sua banda AP302 e tocando na noite montesclarense, mas a vontade de seguir por novos caminhos o levou adiante. Quem conhece sua performance musical e seu carisma pode imaginar muito bem o que está por vir.

+ Inf. www.myspace.com/brunnomendes
Música
Lutheria Premiada

A Lutheria Rio Acima receberá o prêmio “Mestre Duda” de Cultura Popular, concedido pelo Ministério da Cultura. A entrega do prêmio será em Juazeiro do Norte, Ceará, numa confraternização com os projetos premidos de todo o Brasil.
O objetivo da oficina é ensinar a fazer violas e rabecas como também, tocar os instrumentos através de técnicas tradicionais. “Estou muito gratificado e realizado por ensinar esta arte maravilhosa e ainda, ajudar a manter uma tradição tão importante para o nosso povo” diz o professor José Raimundo Alves. O mestre Moisés Pereira Rosa revela que é “tudo fruto de uma grande paixão pela música, pois, com dinheiro ou sem dinheiro nosso trabalho sempre continua a acontecer”.
A oficina está integrada com outros projetos da Secretaria de Cultura, que predispõem criar novos foliões, principalmente com a participação de jovens, a fim de dar continuidade à tradição das folias existentes no município. Outros bons frutos destas ações são a Orquestra de Rabeca do Sertão e a Orquestra Norte Mineira de Viola Caipira.

+ Inf. 3229 3456



Entrevista
João Batista de Almeida Costa

Professor de antropologia da Universidade Estadual de Montes Claros, João Batista nos fala do importante movimento que tem revelado significativos aspectos da formação do Estado Mineiro, e sua relevância na constituição do novo cenário artístico e cultural do norte de Minas.

Revista Ensaio Em que consiste o Movimento Catrumano?
João Batista de Almeida Costa O Movimento Catrumano consiste, por um lado, em uma articulação de instituições norte Mineiras, Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, Unimontes, Amams, Prefeitura de Montes Claros e Fundação Darcy Ribeiro, visando construir poder simbólico para o Norte de Minas. E, por outro lado, em uma tomada de posição política de cada norte mineiro expondo seu orgulho de ser de uma região cuja formação histórica, cultural, social e econômica, contribui para consolidar o Norte de Minas como um dos berços de Minas Gerais e da constituição geratriz da sociedade mineira.

As idéias do Movimento Catrumano têm influenciado nitidamente a recente produção artístico-cultural da região. Como o senhor avalia esta influência?
Quando você descobre os fundamentos de sua realidade, que você sabia, mas não tinha conhecimento de seus fundamentos, o que você faz? Você reconhece e passa a expor com muito mais vigor seu orgulho de ser o que você é. É a partir disto que a produção artístico-cultural norte mineira tem buscado o alimento para evidenciar nossa “verdade” histórica. A agregação dos artistas e produtores culturais às idéias do Movimento Catrumano em muito enriquece o próprio Movimento. A maior valorização da musicalidade dos Grupos Raízes e Agreste, no passado, e de Charles Boa Vista e Carlos Maia, atualmente, que mais evidenciam nossa realidade cultural, tem a ver com a “descoberta” de nosso valor, de nossa rica história, de nossa realidade sociológica e cultural. Esta é uma força que ao ser levada para as artes se espalha para um público muito maior, a partir da capacidade da arte de tocar os sentimentos das pessoas. E o orgulho de se ser norte mineiro contamina a todos. Tudo nosso passa a ser visto com mais valor, nossa comida, nossa música, nosso jeito de ser. Somos norte mineiros e Viva o Norte de Minas!

Que papel os artistas e intelectuais podem desempenhar para reconhecer e reafirmar idéias e valores culturais, na busca de aspectos propriamente norte mineiros e sobrepor a uma visão negativa?
O papel de disseminadores do conhecimento do que nós somos. Somos um povo com uma cultura singular, única no mundo. Nossa contribuição para a humanidade é valiosíssima e se nós não evidenciarmos isto, se nós não disseminarmos isto, quem irá fazer isto? Quem irá nos valorizar? Cada povo ao se valorizar tende a desvalorizar os outros povos. Isto os mineiros fizeram conosco. Ao nos esconder e nos esquecer, eles puderam se valorizar. Se não nos valorizamos, seremos sempre, um povo com complexo de vira-lata, “pobre”, “feio”, “sem cultura própria”, “rude”. E nós não somos nada disto. Ao transformar nossa realidade em arte e disseminá-la para o nosso povo, este é contaminado pelo orgulho de se ser o que se é. Alguns atores de Montes Claros, dentro das atividades da Rede Teia de Teatro, construiu uma peça, Exercício no. 1 – Os Catrumanos, que foi apresentada na Casa do Tambor por quinze dias. Toda noite os espectadores presentes discutiam com algum intelectual a peça e o Norte de Minas, as pessoas saiam do teatro com uma outra visão da região, com um orgulho imenso, com um sorriso escancarado no rosto. Sabemos que essas pessoas assumiram as idéias do Movimento Catrumano e passaram a valorizar por si, a si mesmo e à região.

Quais as expectativas para o Dias dos Geraes, a ser comemorado no dia 08 de dezembro em Matias Cardoso? A coordenação do Movimento Catrumano decidiu celebrar neste ano de 2008 a primeira comemoração regional do Dia dos Gerais. As Expedições Caminhos dos Gerais que vem sendo realizados pela Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Cultura de Montes Claros com o apoio do IEF e de diversas empresas e instituições presentes em nossa cidade irão ser encerradas no dia da celebração em Matias Cardoso. As Expedições este ano estarão percorrendo Povos e Comunidades Tradicionais que dão formação à nossa Matriz Cultural, ou seja, elas contataram os Xakriabá, diversos Quilombos e Comunidades de Geraizeiros, Vazanteiros, Veredeiros e Caatingueiros, que são as populações tradicionais reconhecidas como específicas de nossa região. Também será apresentada a peça Os Catrumanos, haverá uma cerimônia cívica com a outorga do título de Cidadão Honorário de Matias Cardoso para os representantes das instituições que criaram o Movimento Catrumano e uma celebração religiosa com a presença do Arcebispo Metropolitano de Montes Claros e dos Bispos que estão presentes em nossa região. Será um evento emocionante e histórico. É a região valorizando o lugar de seu nascimento. Um lugar que até então não tinha o reconhecimento regional de sua importância para o Norte de Minas, mas as coisas mudaram. Nosso berço está em Matias Cardoso, foi lá que nós, norte mineiros, nascemos como um povo com uma história, como um cultura, com uma sociedade, com uma economia próprias. Ir a Matias Cardoso vai passar a ser um programa cultural para o norte mineiro que lá irá beber das energias de nossa fonte de instituição como um povo singular e específico no meio de tantos outros que no conjunto formam a humanidade.

Ensaio Fotográfico
O Espírito das Cidades

No outono o sol inunda a cidade com a luz mais bonita do ano. Nesses dias os objetos assumem uma tonalidade tão surpreendente que enchem os olhos de fulgor. Fotografar nestas circunstâncias torna-se uma experiência fascinante, principalmente se queremos encontrar beleza onde aparentemente não existe. O que há, impregnado na forma urbanística é o espírito incauto do homem. No vazio dos objetos revela-se tal espírito, que não parece bem. A cidade possui uma aparência inóspita, triste. Ela fracassa na sua ordenação, mesmo com especialistas em planejamento urbano. Assim, surge a idéia de encontrar os indícios que expõem os erros cometidos, a raiz das incertezas e das dúvidas apontadas pela ordenação urbanística atual, sem a pretensão de dar respostas definitivas, mas provocar uma reflexão sobre a monotonia arquitetural e a segregação social existente.